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Nº 1254 ano 2017
Data:

Principal Literatura regional


Academia de Letras: incentivo à cultura da língua tocantinense

A Academia possui uma vasta gama de livros, sendo em sua maioria, sobre o Tocantins ou assuntos transversais. Cada acadêmico que publica uma obra, costuma doar uma porcentagem para a ATL, que possui vários livros como patrimônio estadual, no entanto, disponíveis para leitura, mas somente na sede.

Por: Redação/Lauane dos Santos
17/07/2017 11h:42min Atualizada em 18/07/2017 11h:41min
Foto: Lauane dos Santos
A Academia possui muitos livros sobre o Tocantins e sua história que podem ser lidos e utilizados como fonte de pesquisa, na sede da ATL, localizada no anexo da Seduc, na 103 sul.

Com o princípio de preservar a cultura da língua pátria e incentivar a literatura, com ênfase na tocantinense, foi fundada, em 12 de dezembro de 1990, a Academia Tocantinense de Letras (ATL), uma associação civil de terceiro setor, sem fins lucrativos. Ela foi criada pelos escritores e membros Ana Braga, Juarez Moreira Filho e Liberato Póvoa, com a necessidade de dar espaço e maior ênfase na literatura regional do, até então recentemente criado, estado do Tocantins.

A ATL compõe-se de quarenta cadeiras para membros perpétuos, ou seja, imortais, podendo ser acadêmicos efetivos ou licenciados, residentes ou que tenham residido por mais de cinco anos no Estado do Tocantins. Eles são chamados comumente entre si de “confrades”, ou de “acadêmicos” pela população. O título de acadêmico é equivalente à um título de qualificação, uma vez que todos os membros, com exceção dos primeiros quarenta, escolhidos ainda em 1990, participam de edital e precisam ser escritores dedicados à literatura, com aprofundamento. 

Atualmente, das 40 cadeiras, 37 estão ocupadas por membros perpétuos, e três estão vagas, com o falecimento de Fidêncio Bogo (cadeira nº 14),  Dourival Martins (nº 39) e Francisco Mendonça (nº 36). Para ocupação dessas vagas, é necessário que a diretoria abra um edital de preenchimento e os candidatos comprovem participação efetiva na vida cultural do Estado do Tocantins, com publicação, em qualquer dos gêneros da literatura, de uma ou mais obras de reconhecido mérito.

Alguns dos membros ainda são residentes em Palmas e de grande influência, como primeiro governador do Estado, Siqueira Campos, que ocupa a cadeira nº 01 da Academia.  Outros já se mudaram mas continuam contribuindo com a Academia e/ou escrevendo livros, como o frade Liberato Póvoa, membro da cadeira nº 2.

O escritor José Liberato Costa Póvoa é Desembargador, dicionarista, ficcionista, conferencista e historiador brasileiro. Ele foi co-fundador da ATL e o primeiro presidente, em 1991. É um dos escritores com mais obras publicadas da Academia Tocantinense de Letras. Com 73 anos, ele já escreveu 24 livros e mais de 1000 contos. Sua temática explorada em quase todas as suas obras é o regionalismo. Isso porque, segundo Liberato, “é apegado às tradições da Terra e é tocantinense, e isso basta”.

Dentre suas obras mais conhecidas está o livro Dicionário Tocantinense de Termos e Expressões. “Foi a obra que mais demorou a ser produzida porque demandou uma pesquisa de quase trinta anos. Escrevi porque era preciso deixar um registro do nosso linguajar”, explica o escritor. Outros livros que obtiveram destaque foram Causos que o Tocantinense conta; Mandinga; Procedimento do Juizo Criminal; Besta-Fera; De Zé Goela a Pé de Janta, entre outros.  

Póvoa foi o primeiro presidente da ATL e, juntamente com os outros fundadores, indicou os primeiros nomes para ocupar as cadeiras e para serem patronos. Liberado diz que, quando coordenava a Academia, o seu maior projeto era conseguir uma sede oficial para a ATL, no entanto, não foi possível.

“Procurei tornar a Academia e as letras mais popularizadas e empreendi sessões solenes nas principais cidades tocantinenses de tradições culturais. Meu sonho era ter uma sede própria da ATL e apesar de ter lutado por isso nos meus mandatos, bem como os presidentes posteriores, a Academia, ainda hoje continua sem sede oficial pois, mesmo com toda a sua importância, nenhum governo voltou os olhos para a ATL, nem um dos nossos primeiros acadêmicos, Siqueira Campos”, frisa o escritor.

Atualmente, a Academia Tocantinense de Letras é coordenada pela acadêmica, ocupante da cadeira de nº 13, Mary Sônia Matos Valadares. Ela é advogada, prefaciadora, ativista cultural e pesquisadora brasileira. Além de presidente e co-fundadora da Academia Tocantinense de Letras, também auxiliou na construção da Academia Palmense.

A confrade já foi presidenta da ATL duas outras vezes, em meados de 90, em 2014 e novamente reeleita em 2016. Foi Mary Sônia que conquistou a 1ª sede fixa, ainda que provisória, da AT, no Espaço Cultural. Posteriormente, na sua segunda gestão, transferiu a ATL para um anexo da Secretaria de Estado da Educação, localizado na o Setor Noroeste, na 103 Sul, Conjunto 02, Rua SO 3, nº 09.

A Academia possui uma vasta gama de livros, sendo em sua maioria, sobre o Tocantins ou assuntos transversais. Cada acadêmico que publica uma obra, costuma doar uma porcentagem para a ATL, que possui vários livros como patrimônio estadual, no entanto, disponíveis para leitura, mas somente na sede. Outros livros são levados para escolas e doados para bibliotecas municipais, bem como utilizados em eventos que a Academia realiza tanto a nível municipal quanto estadual.

Por estar em sede provisória e sem um bibliotecário fixo até o momento, para conhecer a ATL é necessário agendar a visita, entrando em contato com a atual presidenta, pelo telefone (063) 99232-0212. Ligue e agende. 

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