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Nº 1267 ano 2017
Data:

Principal Shopping a Céu Aberto


Falha no planejamento atrasa obra e atrapalha comércio em Taquaralto

A proposta apresentada pela Prefeitura da capital, era transformar a avenida Tocantins, desde o trevo do posto até a praça da igreja, em um shopping a céu aberto, remodelando a via. Serviços estão suspensos enquanto o processo de drenagem não for finalizado.

Por: Redação
04/12/2017 10h:03min Atualizada em 11/12/2017 11h:18min
Foto: Luciana Pires/Divulgação
Lançamento do projeto que visa transformar a principal avenida de Taquaralto em shopping a céu aberto aconteceu em maio

O projeto do Shopping a Céu Aberto em Taquaralto tem sido alvo de reclamações por parte de alguns comerciantes da Avenida Tocantins. Ele foi proposto pela Prefeitura de Palmas em maio deste ano. Em uma reunião realizada no dia 29 do mesmo mês, foram decididas as fases de implantação da obra. Foi acertado ainda que um Projeto de Lei fosse encaminhado para a Câmara dos Vereadores de Palmas, para promover incentivo fiscal aos comerciantes que aderissem o projeto.

A proposta apresentada pela Prefeitura da capital, era transformar a avenida Tocantins, desde o trevo do posto até a praça da igreja, em um shopping a céu aberto, remodelando a via. Como previsto pelo prefeito Carlos Amastha, a obra teve início em junho. A primeira etapa foi lançada no dia 6 do mesmo mês.

Quase um mês depois do início da obra, surgiram os primeiros questionamentos a respeito da mesma. No dia 25 de julho, comerciantes da Avenida Tocantins se reuniram com alguns vereadores da capital e o deputado estadual Wanderlei Barbosa (SD). Entre os transtornos relatados pelos empresários está o estreitamento da avenida, menos espaços de estacionamento, a retirada dos retornos, além do aumento da ciclovia, que atrapalha o trânsito na região.

Os comerciantes questionaram a prefeitura para saber qual seria o benefício da obra para eles, de acordo com o que foi prometido. Já que até o presente momento, o comércio estava ficando cada vez mais fraco, diferente do que estava proposto.

Investigação 

O Ministério Público Estadual – TO (MPE), em conjunto com o Ministério Público de Contas do Estado (MPC), emitiram uma Representação no dia 30 de agosto, enviada ao Tribunal de Contas do Estado, para que o órgão promovesse um levantamento administrativo referente à revitalização da Avenida Tocantins em Taquaralto. O objetivo era verificar a legalidade da obra, do custo financeiro e a viabilidade urbanística.

Ao entrar em contato com o MPC, a assessoria informou ao jornal Primeira Página que o processo referente ao Shopping a Céu Aberto está em tramitação no Tribunal de Contas e o órgão solicitou à Prefeitura de Palmas documentos referente a obra.

Comerciante reclama que atrasos podem atrapalhar vendas no natal

Não contente com os transtornos causados pelas obras do Shopping a Céu Aberto na avenida Tocantins, a Associação dos Comerciantes de Taquaralto fez uma denúncia junto ao Ministério Público Estadual – TO, no dia 10 de outubro, para questionar a implantação do Shopping a Céu Aberto na via comercial. A insatisfação era em relação a ciclovia que de acordo com o presidente da associação, Igor Prado, estreitou a avenida em 1,5 metros da faixa de tráfego.

O MPE informou ao jornal Primeira Página que a investigação sobre o caso continua e que não têm conhecimento de outra denúncia sobre o projeto que tenha aportado no órgão.

O grupo de comerciantes relatou ainda sobre a falta de projeto de drenagem para escoamento da água da chuva, além da falta de acessos para os cadeirantes. Pouco tempo depois, no dia 16 do mesmo mês da denúncia, houve a primeira chuva, que alagou a avenida e confirmou a preocupação dos empresários.

Prós x Contra
A princípio, a Associação dos Comerciantes de Taquaralto era a favor do projeto do Shopping a Céu Aberto, pela proposta de fomentar o comércio da Avenida Tocantins, de acordo com o presidente Igor Prado. A opinião foi mudando conforme os problemas foram surgindo. “A princípio a associação era contra somente a algumas partes do projeto, principalmente da ciclovia, que tirou parte da pista de circulação de carros e prejudicou o trânsito. Porém, depois de algumas reuniões com a prefeitura e secretários, inclusive com o prefeito, percebemos como a obra foi mal projetada e está sendo mal executada. O pior de tudo, a prefeitura não assume o erro e com isso só quem fica prejudicado são os empresários”, relata Igor.

O presidente comentou ainda que foram feitas promessas à Associação dos Comerciantes e compromissos firmados, tanto verbalmente quando documentado, mas que até o momento, nada foi cumprido pela prefeitura.
“Sobre a obra, a cada dia que se passa percebe-se o descaso da prefeitura com os comerciantes. Somente agora, depois das chuvas, começaram a mexer com as drenagens e isso está atrapalhando mais ainda o comércio, o que era para fortalecer o natal da região, está tornando um caos”, lamenta Igor Prado.

O Shopping a Céu Aberto não é de um todo recusado pelos comerciantes da Avenida Tocantins. O empresário Gilmar Vasconcelos, apesar de achar que a obra deveria ter sido melhor planejada, apoia o projeto. “Eu sou a favor da obra, mas devida a falta de estratégia houve uma paralisação da mesma. A gente queria até apresentar outros projetos para eles. Mas eles tinham que ter cuidado melhor, terminar as lombo faixas para facilitar para os pedestres. Mas eu queria que a obra desse certo para melhorar o nosso comércio, como foi proposto”, comenta Gilmar.

O comerciante comentou ainda que ele e mais cinco empresário da avenida, se reuniram na última semana, para pensar em uma solução. A ideia entre eles discutida foi de “deixar a avenida em sentido único, com duas faixas, tirando o canteiro central e fazendo um estacionamento de escama de peixe, como foi feito da Praia da Graciosa, com a ciclo faixa na lateral. Mas eu quero ver esse projeto do Shopping a Céu Aberto pronto”, declarou.

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Entenda o que mudou no projeto do Shopping a Céu Aberto

A primeira etapa da obra do Shopping a Céu Aberto foi lançada no dia 6 de maio. Ela foi orçada em R$ 17 milhões. A primeira fase consistiu em recapeamento e ordenamento do trânsito. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Emprego, Kariello Coelho, esta parte da obra foi entregue em setembro deste ano, como previsto.

A segunda, que estava prevista para ser entregue em março de 2018, previa iluminação no canteiro central e havia uma tentativa de parceria com o Sebrae para a revitalização de todas as fachadas das lojas.

O projeto arquitetônico é do Instituto Municipal de Planejamento Urbano – Impup de Palmas. Era planejado a revitalização de 1,7 km de extensão da via. Foi apresentado que as obras previam a redução das pistas, o aumento e a implantação de ciclovias neste no canteiro central, arborização, toldos nas calçadas e instalação de lombo faixas.

A mudança no trânsito ficou por conta da Secretaria de Infraestrutura, Serviços Públicos, Trânsito e Transporte. O objetivo era ordenar o tráfego com a redução de retornos na avenida. Além disso, a definição de horário para carga e descarga e aumentar a fiscalização da circulação de caminhões fora do horário permitido. Foi proposto ainda a implantação de estacionamentos para carga e descarga, deficientes com dificuldade de locomoção e idosos.

Porém, esse planejamento já não é 100% o mesmo. Após alguns problemas apresentados na obra, por conta da chuva, ela está paralisada até que o processo de drenagem estiver finalizado. “Estamos finalizando a licitação dos materiais. A obra deve ser retomada em janeiro de 2018”, explicou Kariello.

Ainda de acordo com Kariello, o que era para ser feito em três etapas, agora será em quatro, por conta do trecho final que dá acesso à Taquaruçu. A previsão de entrega do Shopping a Céu Aberto é que seja ainda no primeiro semestre do próximo ano. “O shopping a céu aberto de Taquaralto será um dos maiores do Brasil. Teremos árvores com fontes de energia solar, onde a população poderá descansar e carregar o celular, por exemplo. Com certeza a população de Taquaralto ficará muito feliz com a obra. Será um novo centro de comércio”, finaliza o secretário.

 

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