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Nº 1255 ano 2017
Data:

Principal Em Taquaruçu


Festival de Circo começa nessa quinta com diversas atrações e oficinas gratuitas

O festival é idealizado pela Cia de circo Os Kacos, que chegou em Taquaruçu em 2013 e desde então tem realizado projetos sociais através da arte no distrito.

Por: Ana Elisa Martins
13/06/2017 12h:04min Atualizada em 19/06/2017 18h:38min
Devido a falta de apoio, esse ano a produção do festival teve que reduzir o evento de sete dias para três dias.

Há três anos o Festival de Circo de Taquaruçu é realizado em Palmas no distrito que dá nome ao evento. Com poucos recursos, mas com uma forte rede de artistas colaboradores, o festival vem atraindo um público cada vez maior a cada ano e de várias partes do país. Ao todo, o evento já atingiu um público de mais de 10 mil pessoas. Esse ano, o Festival de Circo de Taquaruçu acontece nos dias 15 à 17 de junho, com mais de 70 artistas envolvidos na produção e espetáculos e com uma expectativa de público em torno de cinco mil pessoas.

O festival é idealizado pela Cia de circo Os Kacos, que chegou em Taquaruçu em 2013 e desde então tem realizado projetos sociais através da arte circense no distrito. A primeira edição foi realizada em 2014 com o intuito de difundir as artes circenses na região, e tem se destacado por ser um evento cultural do Tocantins que tem o maior número de artistas envolvidos de diversas áreas e localidades.

Conforme as edições aconteceram, o festival foi tomando dimensões maiores, deixando de ser apenas um encontro circense e se tornando um ponto de convergência cultural. É o que conta Bruno Kalss, produtor do festival. “O circo é o tema principal, mas hoje a programação vai muito além das artes circenses, pois além das oficinas de técnicas de circo, o festival possui muitas oficinas voltadas, por exemplo, para a questão ambiental, como a oficina de bioconstrução e a oficina de preparação de mudas medicinais. Tem também oficina de capoeira, oficina de sussia e ritmos tradicionais, então acaba que virou uma espécie de encontro de culturas, onde há pessoas e artistas do Brasil inteiro e de diversos ramos, fazendo essa troca de saberes, de cultura e de arte”.

Assim, ao longo desses quatro anos, já passaram mais de 150 artistas nos palcos e na produção do festival, fruto de uma rede colaborativa fomentada pelos próprios artistas e produtores. “É uma característica muito importante do festival”, diz Bruno. “Muitos artistas quem vem para o festival, se prontificam a vir por conta própria, alguns a gente até consegue um apoio para traze-los. São artistas renomados nas suas áreas, que em outros lugares cobram um cachê alto. Mas aqui eles abrem mão dos cachês por entenderem o trabalho social do circo em Taquaruçu e por quererem fazer o festival acontecer”.

Ainda segundo Bruno, a própria produção do festival também trabalha de forma colaborativa: “A Cia realizadora do festival e os integrantes da produção não recebem nada. Todo o trabalho é feito sem o retorno de lucro algum e nem visamos isso. Até por que, toda a programação é oferecida de forma gratuita, das oficinas aos espetáculos”.

As dificuldades de produzir um evento independente no Tocantins

Mesmo com a grande proporção que o festival atingiu, ainda são muitas as dificuldades que a produção enfrenta para realizar. O maior deles, segundo Bruno, é a falta de apoio e incentivo dos órgãos públicos e do setor privado para o festival: “O principal problema é sempre esse, apoio”. Bruno desabafa: “Tanto financeiro quanto à disposição dos órgãos públicos. A gente sempre tem que ficar praticamente se humilhando para conseguir as coisas. Esse é o principal problema! Até hoje não conseguimos um apoio sequer para pôr um bebedouro no evento”.

Porém, mesmo tendo essas dificuldades, Bruno nos diz que a produção ainda consegue pagar por serviços necessários como cozinheiras para fazer almoço para os artistas: “Tem serviços que não podemos deixar de contratar. Por exemplo: contratamos cozinheiras e é muito trabalho, não tem como pedir pra elas ficarem quatro dias fazendo rango de graça para mais de 70 pessoas. A gente quer fortalecer a região também, então contratamos as cozinheiras daqui, os serviços essenciais daqui.”

Mas para Bruno o ideal seria que o festival conseguisse pagar toda a produção: “O ideal que a gente quer é poder pagar todo mundo. Pagar os cachês das apresentações, das oficinas, os produtores... que todo mundo pudesse receber. Só que isso só seria possível se a gente tivesse um patrocínio, um incentivo. A gente já calculou o orçamento geral de quanto ficaria todo o projeto do festival do ano passado e deu um total de 200 mil reais!”

O retorno
Mesmo com todas as dificuldades o festival acaba trazendo muitos retornos positivos para a região de Taquaruçu. É o que apontam os próprios moradores do distrito e público do festival, André Gomes e Ralfe Alvez. Para André “o primeiro retorno que o festival traz para Taquaruçu é um retorno social, pois ele envolve as pessoas da comunidade e principalmente as crianças, aproximando-as da arte e cultura. E o segundo retorno é o econômico, porque quando tem esse movimento em Taquaruçu, o comércio vende mais e movimenta toda a economia do distrito e o próprio turismo, pois mais gente frequenta as cachoeiras.”

Já Ralfe destaca a importância social que o circo traz para a comunidade: “desde que o circo chegou em Taquaruçu ele tem feito um trabalho muito bonito com as crianças daqui e ao longo desses quatro anos podemos perceber todo o desenvolvimento das que participam do projeto, chegando a fazer apresentação aclamada no Festival!”.

As novidades presentes esse ano

Com a falta de apoio, esse ano a produção do festival teve que reduzir o evento de sete dias para três dias. Mas os organizadores garantem que isso não significa perca de qualidade: “mesmo com essa redução de dias, ainda serão muitos artistas no festival, serão muitos locais atingidos pela programação e a qualidade das apresentações será alta”, contou Bruno.
Kadu Olivê, também produtor do festival, conta que o festival desse ano terá grandes atrações de várias regiões do país, como a dupla de palhaços da “Cia Pé de Cana”, do estado de São Paulo, que apresenta o espetáculo “Circo de Doisdo” e a estreia do espetáculo “Da Rua ao Circo Pela Caixa Moscovita” da cia itinerante “Tem Sim Sinhô”, do Estado de Goiás. Mas para Kadu, a grande atração do festival desse ano será a “Cia Grifour” da Escola Nacional de Circo. “A Cia Grifour acabou de se formar na Escola Nacional de Circo e está circulando pelos festivais do Brasil, e um desses festivais é o nosso. Eles possuem um altíssimo nível técnico e acrobático e ainda farão duas oficinas fantásticas de Canastilha e Icarios. Icarios é uma modalidade não muito praticada no circo por ser de um alto grau de dificuldade.” Segundo Kadu essa oficina será inédita por não ocorrer em outros festivais.

Mas o destaque do Festival para esse ano, ainda segundo Kadu, é a Oficina de Capacitação para os artistas do festival com João Carlos do Teatro de Anônimos do Rio de Janeiro. “Essa oficina é uma contrapartida bastante importante, principalmente para os artistas que vem de fora e investem grana para participar do festival. Então é bem interessante que eles tenham essa oficina com um cara renomado do circo e teatro brasileiro”.

Programação
O leitor confere a programação completa do IV Festival de Circo de Taquaruçu no facebook

Serviço
O que: IV Festival de Circo de Taquaruçu
Quando: 15 à 17 de junho
Onde: Distrito de Taquaruçu, Palmas-TO
Quanto: Entrada Franca

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Palmas - Tocantins