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Nº 1258 ano 2017
Data:

Principal ENTREVISTA


Leo Barbosa diz que Câmara votou 8 aumentos de impostos em 6 meses

Com apenas 27 anos o palmense Leo Barbosa foi eleito vereador de Palmas, pelo partido Solidariedade, sendo o mais votado da cidade e do Tocantins com 2.678 votos. Hoje, aos 28 anos, está no mandato há sete meses e acredita simbolizar uma nova geração de políticos. O jovem nasceu no dia 5 de maio de 1989, em Porto Nacional, mas foi registrado no 1º Cartório de Registros de Palmas. Crescido em berço político, busca inspiração para a carreira na própria família. Em entrevista ao jornal Primeira Página, o Leo avaliou sua atuação na Câmara de Vereadores de Palmas, criticou a administração do prefeito Carlos Amastha e falou da atual situação da política no Brasil.

Por: Redação
04/09/2017 10h:21min Atualizada em 04/09/2017 10h:26min
Foto: Divulgação
Leo Barbosa: Palmas se tornou uma cidade cara para se viver

Primeira Página – Qual a avaliação que o senhor faz do seu mandato na Câmara?

Leo Barbosa – Eu vejo como positiva. Tenho muito orgulho de poder ser um palmense, representando os palmenses na Câmara. Simbolizando uma nova geração de políticos. Sou de família tradicional aqui na capital e justamente por ter essa vivência e crescer nesse meio é que eu acho que aguçou essa sensibilidade de querer ajudar as pessoas, de poder representar a minha cidade, poder ajudar Palmas a ser um local melhor para vivermos, trabalhar, para criarmos nossos filhos. Apresentamos projetos de leis, que considero relevantes para a sociedade, como por exemplo, o projeto de lei que obriga o chefe do Executivo a promover audiência pública antes de tributar a sociedade, que já tramita nas comissões. O prefeito precisa ouvir as pessoas e explicar para elas os eventuais motivos de um aumento de IPTU, por exemplo, e de qualquer taxa ou encargo público. É uma obrigação do perfil da nova gestão púbica do país, ouvir a sociedade e justificar os aumentos que eles estão propondo. Até porque Palmas é uma cidade cara para se viver, com altas taxas, altos impostos. Pensando nisso eu protocolei esse projeto, como também protocolei recentemente um que obriga a Prefeitura de Palmas a fornecer assistência farmacêutica nos finais de semana, nos postinhos e nas farmácias do município. Tenho também outro projeto que visa regulamentar e normatizar os estacionamentos privados pagos, porque hoje o cidadão usa de 15 a 16 minutos no shopping e paga o equivalente a quatro horas. Essa cobrança não fracionária precisa ser revista e precisa ser normatizada. Quero destacar o fato de ter votado sempre com muita coerência. Quando o prefeito Carlos Amastha precisa do meu voto favorável para medidas que beneficiam a cidade, tenho votado sim. Como a criação de secretarias que considero importante e estruturação de cargos da prefeitura. Mas quero dizer que votei contra os aumentos injustificáveis e absurdos de IPTU, taxa de coleta de lixo, aumento da contribuição de iluminação pública. São alguns dos aumentos que o prefeito propôs que a maioria do plenário acatou, mas que eu, como parlamentar e representante do povo, compreendendo o momento em que passamos, de desemprego e crise econômica, por isso me opus e propus até uma maior discussão. Infelizmente foi votado de forma precipitada. Tendo em vista que nós tínhamos até o dia 31 de dezembro para votar e só vão ser efetivadas para o ano subsequente, no caso, 1º de janeiro de 2018.

Primeira Página – Como o senhor avalia o papel da Câmara Municipal de Palmas?

Léo Barbosa – Na teoria ela é o Poder Legislativo, mas na prática não vem se comportando como um poder independente em muitos aspectos. Eu tenho algumas discordâncias com o comportamento da maioria dos vereadores com relação a matérias enviadas pelo Executivo e pelo excesso de Medida Provisória com que o prefeito tem utilizado para governar. Medida Provisória é um mecanismo de emergência e não deveria ser de prática. Isso tem me causado preocupação. Eu acho que o Legislativo precisa se impor mais, discutir mais, debater mais.

Primeira Página – Como o senhor avalia de um modo geral a administração do prefeito, tanto no mandato anterior quanto nesse?

Léo Barbosa – O primeiro mandato do Amastha foi marcado pelas altas taxas e ausência de obras. É uma avaliação que eu faço porque ele não conseguiu prestar contas ao final do seu mandato, das obras que ele havia feito, que tinham sido planejadas e executadas no mandato dele. Apenas concluiu obras do ex-prefeito Raul Filho. Nesse segundo momento, ele já faz algumas obras, como fez o Parque dos Povos Indígenas e eu consigo reconhecer a importância dessa obra. Mas vejo nesse segundo mandato uma inversão de prioridades. O prefeito tem gasto muito dinheiro público de forma errada desconsiderando que as pessoas hoje vivem com dificuldade. O prefeito está gastando milhões agora com recapeamento em áreas centrais da cidade que não precisavam, ou pode até precisar, mas a prioridade deveria ser os bairros históricos de Palmas que até hoje estão na poeira e na lama. Como algumas ruas do setor Aureny III, do Lago Sul, do setor Taquari, o bairro que ele falou que só sairia de lá quando chegasse o asfalto e a verdade é que ele nem mora lá e nem o asfalto chegou. Então, são contradições do marqueteiro Amastha que não me fazem concordar com essa gestão. Outra coisa que me preocupa é o fato de nós termos votado oito aumentos em seis meses. Isso é absurdo, eu não posso concordar com uma gestão que tem mais de um aumento de imposto por mês. Nós votamos IPTU, ISSQN, taxa de coleta de lixo. Foram vários aumentos. Isso, de certa forma, vem afugentando famílias de Palmas. As pessoas que pensam em vir para Palmas, pensam duas vezes hoje, pela alta carga tributária que o município exerce. Então eu tenho essa preocupação. Também discordo do fato do prefeito não ter pago a data base e desvalorizado o servidor. Isso é um direito adquirido do servidor e o prefeito até o presente momento não conseguiu fazer esse pagamento. Está gastando milhões com outras coisas, gasta muito dinheiro com passagem aérea, com locação de tenda, de palco para shows e direitos adquiridos dos trabalhadores estão sendo menosprezados por essa gestão. É mais uma questão que me faz discordar da gestão do Amastha. Essa maneira de tocar a política invertendo valores, desvalorizando o servidor e uma alta carga tributária para o palmense que já passa por muitas dificuldades. O prefeito não pode querer ser governador se ele não consegue deixar a cidade dele organizada. O prefeito está cometendo erros grotescos, como por exemplo, o shopping a céu aberto, onde cada dia a gente encontra uma reclamação do usuário e do comerciante. A redução da pista do tráfego de veículos, as calçadas, a proibição de estacionamento que vai proibir você de ir lá comprar. Como você vai comprar um fogão, por exemplo? Levar para o carro sem poder estacionar perto? São coisas que vão prejudicar muito o comércio. Um comércio que já sente os efeitos da crise. Não está havendo licitação, o prefeito está ferindo a Lei de Licitação como fere também a Lei de responsabilidade fiscal por não ter incluído na LDO desse ano a previsão orçamentária para a execução daquela obra.

Primeira Página – Na sua opinião quais são os principais problemas  de Palmas?

Léo Barbosa – Palmas ainda sofre por problemas históricos. Problemas como asfalto em setores antigos, nós não temos ainda um hospital no município que possa fazer cirurgias mais simples e acaba de certa forma, também, tumultuando o HGP. Talvez Palmas seja uma das poucas capitais que não tem um hospital de médio e grande porte que possa fazer cirurgias ortopédicas, por exemplo, ou micro cirurgias. Então às vezes o palmense passa muito tempo na fila do HGP para fazer uma cirurgia de um braço quebrado ou de uma hérnia, em função do município não arcar com esse tipo de assistência médica. É algo que eu tenho cobrado. Eu vejo que falta também muitos investimentos, principalmente na região sul da capital. Temos uma gestão que basicamente maquia e a prova disso é esse asfalto no centro da cidade. O Amastha está muito mais preocupado em fazer praças e parques e asfalto onde já tem do que de fato cuidar da nossa cidade por inteira. Principalmente nas regiões mais marginalizadas, como Taquari, nosso Taquaruçu que ainda não viu obra do Amastha. A Buritirana que nunca o viu fazer uma obra. Nós não temos também, por exemplo, uma assistência social, que foi marca das gestões anteriores, independente do prefeito que passou. Nós temos também um problema que eu vejo na educação, muito grande, que é a ausência de ar condicionado nas escolas das crianças. Eu vejo um cadastro de reserva nas creches absurdo e ele mais que dobrou nessa gestão. Porque ele não consegue fazer as creches para atender a comunidade e é um prefeito que prometeu na campanha até creche noturna e hoje não consegue fazer creches diurnas para atender a demanda dos nossos alunos.

Primeira Página – E a criação de empregos, como é que o Senhor vê essa questão econômica da capital, que é séria?

Léo Barbosa – A falta de investidores na nossa capital é marca registrada e o prefeito poderia, já que afirma ter tanta influência no meio empresarial, trazer grandes investimentos. Nós não tivemos. A geração de emprego e renda não é algo que é característico da nossa capital nos últimos anos. Nós crescemos ao longo dos primeiros 20, 25 anos de forma acolhedora. Recebendo gente de todo lugar e oferecendo emprego. Hoje nem os palmenses que chegaram aqui no começo conseguem emprego. Então falta investimento, falta a prefeitura fazer mais obras que gerem emprego. A alta carga tributária impede o empresário de contratar um funcionário ou dois a mais. Às vezes um funcionário no final de ano deixa de ser contratado para vender no natal, ano novo, porque o dono tem que pagar o IPTU de um ano inteiro.

Primeira Página – O senhor como estreante na política, como avalia esse atual momento da política brasileira?

Leo Barbosa – Eu avalio da mesma maneira com que o cidadão brasileiro avalia. Temos uma preocupação com o futuro do país e temos visto poucas respostas do poder público por intermédio dos agentes políticos. De que o país sairá da crise por intermédio daqueles que estão no poder. Eu não posso concordar com algumas medidas da reforma. São reformas que muitas vezes tem prejudicado as famílias brasileiras, os trabalhadores. Tem reforma que tem prejudicado a soberania do país, os bens, como agora o caso do presidente querer utilizar de reserva de proteção. É absurdo isso, nós não podemos concordar com esse tipo de coisa e a questão da corrupção é o pior mal que assola o país hoje e é o principal responsável pelo descrédito do cidadão brasileiro com relação à política. Saber que todo dinheiro arrecadado, na grande parte, tem servido para barganha, negociatas, para que alguns possam se beneficiar do poder público. É muita coisa acontecendo. Eu não posso concordar com essa reforma política que está sendo proposta agora, que já de antemão, exige quase R$ 4 bilhões do dinheiro do povo brasileiro.

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