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Nº 1264 ano 2017
Data:

Principal ENTREVISTA


Nasser Iunes critica reeleição na FAET e defende melhor representatividade

Produtor rural e candidato à presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (FAET) nas eleições que ocorrem dia 20 de outubro, Nasser Iunes diz que produtores rurais estão mal representados e defende mudanças no estatuto da federação.

Por: Redação
11/09/2017 17h:36min Atualizada em 13/09/2017 8h:49min
Foto: Divulgação
Nasser Iunes é produtor rural desde 1980

Primeira Página – Fale um pouco de seu perfil e da sua história.

Nasser Iunes – Eu sou natural de Ituiutaba, Minas Gerais. Meus pais se mudaram para o Tocantins na década de 70, quando ainda era Goiás. Eu fui estudar fora, me formei em Engenharia Civil em 1982 e vim para Araguaína. Sou produtor rural desde 1980 por influência da família que já exercia essa atividade. Em 1995 eu fui presidente do Sindicato Rural de Araguaína. Depois eu fui vice-presidente da Federação da Agricultura e, posteriormente, fundador e primeiro presidente do Fundeagro. Também fui presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae, no ano de 1999 a 2000. Em 2001, 2002 eu fui Secretário da Agricultura do Estado do Tocantins, época em que o Tocantins foi classificado como estado livre da febre aftosa com vacinação. Em 2000 eu participei da fundação da Cooperativa dos Produtores do Vale do Araguaia. Fui o primeiro presidente dessa cooperativa e quem colocou ela para funcionar, abrindo lojas de insumo, captação de leite etc. Então eu tive e tenho uma atuação muito mais técnica do que política. Eu nunca fui candidato a nenhum cargo eletivo partidário, apesar de ter um bom relacionamento com toda a classe política. Gosto muito de estudar e adquirir conhecimento, por isso de certa forma eu sou um autodidata.

Primeira Página – Por que o senhor resolveu ser candidato à presidência da FAET?

Nasser Iunes – Estamos vivendo um período muito especial no Brasil. Todos nós estamos ansiando por mudanças, desejando ter um país melhor. E nada melhor do que nós, que podemos contribuir e que temos a maioria da classe produtora com o mesmo sentimento, tentar mudar a Federação da Agricultura, que para nós é ou deveria ser a casa dos produtores. Nós achamos que está na hora de mudar e, inclusive, mudar estatuariamente para que os produtores rurais e principalmente os presidentes dos Sindicatos Rurais que os representam, tenham uma melhor atuação e uma melhor representatividade. E que lá estejam pessoas que sejam intimamente ligadas à produção rural. Eu respeito muito a senadora Kátia Abreu e o trabalho dela, que contribuiu e que ainda contribui com o desenvolvimento do agronegócio no estado, mas ela está à frente da federação há 20 anos, com exceção de um mandato, então acredito que ela pode continuar contribuindo lá no Senado. Ela não precisa ser a pessoa que domina a federação há 20 anos. Essa é uma melhoria que pode ser feita no que diz respeito à nossa representatividade. E como nós queremos dar nossa contribuição, acredito que eu tenha o perfil, a disponibilidade e o compromisso de me dedicar e fazer as alterações necessárias na Federação da Agricultura para que o produtor rural esteja melhor representado, num nível maior de comunicação entre a classe produtora e o setor político. Nós não somos contra a política. Sabemos que ela existe e deve existir em todo o lugar, mas o político dominar uma federação há 20 anos é uma distorção que devemos tentar corrigir.

Primeira Página – Quais são suas propostas para a FAET?

Nasser Iunes – Temos uma lista de objetivos que vamos procurar atingir ao longo desses quatro anos. São eles: capacitar os dirigentes sindicais, principalmente presidentes, por meio de oficinas, cursos e workshops, visando a melhoria da gestão e atração de novos cooperados; Aproximar o produtor rural e suas associações, dos Sindicatos Rurais e da Federação; Realizar encontros regionais e estaduais visando a integração dos sindicatos, troca de informações e conhecimento; Fortalecer as ações para manter os sindicatos ativos, fortes e representativos por meio da prestação de serviços e defesas dos interesses e demandas da classe; Ter a participação dos presidentes na formulação das políticas e ações da classe; Fortalecer e criar Feiras de Negócios nos polos regionais de agricultura e pecuária; Ter participação efetiva nos conselhos estaduais que fazem parte do sistema agropecuário com a participação de presidentes e produtores; Melhorar a relação com parlamentares, instituições e governo, mas deixando os interesses políticos partidários fora da FAET; Manter a Federação autônoma, sem ligação político-partidária; Retirar do "papel" a criação de comissões de áreas fundamentais de interesse do agronegócio, criando condições para atender as verdadeiras demandas dos produtores; Melhorar a representatividade da FAET para podermos defender demandas e interesses reais dos produtores junto à CNA e à Frente Parlamentar da Agricultura e fazer uma reforma estatutária para acabar com o vínculo político-partidário do sistema. Entre as propostas para esta reforma estão a proibição da reeleição, renúncia obrigatória do cargo da diretoria por ocasião de candidatura eleitoral e mandato único para o cargo de presidente, impossibilitando o compadrio.

Nasser Iunes

Uma das propostas de Nasser Iunes é criar condições para atender as verdadeiras demandas dos produtores

Primeira Página – Como o senhor avalia o setor do Agronegócio no Tocantins?

Nasser Iunes – A classe produtora se sente hoje mal representada. Isso acontece porque a federação não fala a mesma língua do produtor. O produtor tem necessidades que não estão sendo atendidas. Então essa aproximação que buscamos fazer é necessária para que a classe produtora seja, de fato, representada. Mas nossos números são muito bons. Nosso PIB gira em torno de 18%, 20% do Agronegócio e embora tenhamos somente cerca 7% de área plantada, o potencial que o Tocantins tem e a tendência de crescimento vão fazer com que avancemos muito.                                                          

Primeira Página – Quantos sindicatos rurais existem no Tocantins?

Nasser Iunes – Hoje temos 40 sindicatos rurais espalhados pelas mais diversas regiões. Sendo assim, os eleitores dessa eleição são os presidentes dos sindicatos rurais.

Primeira Página – Como o senhor avalia todos os mandatos da senadora Kátia Abreu à frente da FAET ao longo desses 20 anos em que ela está no comando da Federação?

Nasser Iunes – Inicialmente eu fui vice-presidente dela por dois mandatos. Naquela época eu acreditava que a Federação era um projeto classista onde, de fato, estávamos trabalhando pela classe de produtores rurais. Mas eu acho que foi desnecessário, a partir de determinado momento, a presença dela na federação durante todo esse tempo. A propósito, essa minha ideia de não reeleição é antiga. Quando eu fui presidente do Sindicato Rural de Araguaína nossa gestão propôs e aprovou que só poderia haver uma reeleição. Isso também aconteceu quando eu fui presidente da Cooperativa dos Produtores do Vale do Araguaia. No caso de sindicatos ainda temos uma particularidade. Alguns deles ficam em regiões remotas e são muito pequenos, por isso existe a dificuldade até de se formar uma chapa. Mas na federação, não. Temos 40 presidentes de sindicatos que podem concorrer à vaga. É preciso dar oportunidade para os outros presidentes que também têm capacidade. Essa é uma das críticas que tenho a fazer. Mas respeito a senadora e acho que ela contribuiu e vai continuar contribuindo, mas não precisa estar à frente da federação, já que ela tem uma carreira política. Acho que soa mal.

Primeira Página – O senhor tem encontrado receptividade e respaldo para sua candidatura?

Nasser Iunes – Em todos os meios nós temos encontrado bastante respaldo, principalmente na classe produtora. Dentro dos sindicatos rurais nós ainda temos um pouco de dificuldade porque existem alguns que ainda estão afeitos ao assistencialismo que a presidente tem dentro da federação, e que nós sabemos que existe. Também há aquelas pessoas muito próximas, que confundem amizade com o que é coerente, com o que deveria ser o correto.

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Segundo Nasser Iunes, o Tocantins tem tudo para alavancar no setor do Agronegócio

Primeira Página – Se o senhor for eleito presidente da FAET, como pretende lutar para que o setor agropecuário se desenvolva frente à um cenário de crise que afetou todos os setores do país e que deve se recuperar de forma lenta?

Nasser Iunes – A saída que o Brasil tem é o agronegócio, tanto em nível nacional, quanto em nível estadual. Nos últimos 10 anos, graças ao ambiente propício que a tecnologia e o governo nos proporcionaram, nós crescemos mais de 50% na produção agropecuária brasileira. Em âmbito estadual, quando eu fui secretário, nós tínhamos 700, 800 mil toneladas de grãos produzidos. Hoje nós temos 4 milhões e meio, mas ainda não assumimos o papel de produtor. O que falta para o setor agropecuário alavancar no Tocantins são políticas governamentais, principalmente no que diz respeito à infraestrutura. Nosso estado é gigantesco e nós deveríamos nos ater à Educação, Saúde e Segurança. O setor de infraestrutura deveria ser de iniciativa privada. É preciso investimento. Que seja capital estrangeiro, que sejam pessoas que venham ganhar dinheiro com a gente. Se compararmos o Brasil com os Estados Unidos, o Brasil é campeão em ambiente de produção de soja e os Estados unidos na produção de milho. O custo de produção lá é maior que no Brasil, mas a logística de produção é muito melhor. Para citar como exemplo, vamos observar o custo das principais matrizes de transporte, que são o transporte fluvial, o ferroviário e o rodoviário. Se no Brasil o fluvial tem um custo alto, nos Estados Unidos ele tem um custo baixo. Isso é ruim, isso é falta de concorrência. Por isso é preciso repassar para a iniciativa privada. Se fizermos isso, principalmente com a infraestrutura, e tivermos uma economia estável em termos de políticas agrícolas, ninguém segura o Brasil.

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