Nº 1307 ano 2019
Data:

Principal Policia Civil


Operação Intramuros: aumento de homicídios tem ligação direta com guerra entre facções criminosas

A operação de hoje envolveu 300 policiais para o cumprimento de todos os mandatos. Entre os alvos apontados pela PC, pelo menos 30 estão dentro do sistema prisional tocantinense, entre eles, chefes da facção que comandam o tráfico de dentro dos estabelecimentos prisionais.

Por: Rafael Miranda/Redação
Publicada em: 15/04/2019 19h02min
Atualizada em: 16/04/2019 20h10min
Foto: SSP/TO
Operação também conseguiu apreender tabletes de maconha e 1,5 kg de crack.

Na manhã desta segunda-feira, 15, a Polícia Civil (PC) tocantinense realizou a operação “Intramuros”, para combater a atuação de uma facção criminosa oriunda de São Paulo que age dentro e fora dos presídios em diversos estados brasileiros. Ao todo, foram expedidos 74 mandados de prisão e mais 72 de busca e apreensão no Tocantins e também em Goiás e Piauí.

A operação de hoje envolveu 300 policiais para o cumprimento de todos os mandatos. Entre os alvos apontados pela PC, pelo menos 30 estão dentro do sistema prisional tocantinense, entre eles, chefes da facção que comandam o tráfico de dentro dos estabelecimentos prisionais.

Policiais estiveram em 14 cidades para cumpri os mandatos, e fizeram buscas dentro dos quatro maiores presídios do Tocantins. A maior quantidade de prisões ocorreu dentro da Casa de Prisão Provisória de Palmas, com seis mandatos e uma outra na unidade prisional feminina. Outras cinco prisões também ocorreram na Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota, em Araguaína, onde estão presos dois homens que seriam os principais chefes do esquema

Assassinatos

A operação teve início após a apreensão de celulares dentro da Casa de Prisão Provisória de Paraíso, e duraram cerca de seis meses de trabalho. Com o avanço das investigações, a polícia descobriu que os criminosos ligados a essa facção matavam integrantes de grupos rivais, e ganhavam pontos para serem promovidos na hierarquia do crime.

“É colocado como uma espécie de pontuação a morte de membros de facções rivais, e quanto o membro logra êxito no crime, é adicionado os pontos em uma ficha cadastral que cada membro possui”, destacou o delegado responsável pela operação, Eduardo Menezes, da Delegacia de Investigações Criminais de Paraíso do Tocantins (DEIC).

Durante as investigações foram confirmados pelo menos três assassinatos que ocorreram no estado, decorrentes da guerra entre facções. O delegado Eduardo Menezes comentou ainda que o crescente número de homicídios, principalmente em Palmas, tem ligação com o confronto entre os grupos rivais.

“Os homicídios tem aumentando muito por conta disso, a alta cúpula dessa facção incentiva o extermínio de membros rivais, e esse fomento é pago através dessas pontuações, que permitem que os demais membros cresçam na hierarquia da organização”, comentou Menezes.

O delegado comentou ainda que esses homicídios decorrentes da guerra entre as organizações criminosas se tornam difíceis de investigar, pois não há nenhum critério para essas mortes. “O único critério é ser membro de uma facção rival, e durante investigações de homicídios, nos levantamos um histórico das vítimas, e como não há esse histórico, fica difícil criar uma linha de investigação”.

Outros estados

No Piauí foi cumprido uma ordem de prisão em Marcolândia e em Goiás foram expedidos quatro mandados, sendo cumpridos em Aparecida de Goiânia, e foram destinados para familiares de integrantes da facção. A DEIC de paraíso informou que essas pessoas emprestavam suas contas bancárias para a quadrilha movimentar dinheiro, inclusive.

Fotos: SSP/TO

Comentários

Deixe um comentário