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Nº 1264 ano 2017
Data:

Política ENTREVISTA


Senador Ataídes Oliveira fortalece o PSDB e forma grupo para 2018

O senador Ataídes Oliveira, presidente do PSDB regional, tem sido protagonista de uma grande movimentação partidária no estado com as filiações de prefeitos de cidades importantes ao seu partido, indicando que ele está formando o seu grupo para disputar as eleições de 2018. Nesta entrevista exclusiva ao jornal Primeira Página, realizada pela jornalista Sandra Miranda, ele avalia os acontecimentos, fala das próximas eleições e do seu trabalho no Senado Federal, além de discorrer sobre a corrupção no país, que para ele teve o seu divisor de águas com a operação Lava Jato.

Por: Redação
04/09/2017 9h:26min Atualizada em 20/09/2017 8h:47min
Foto: Divulgação
Ataídes Oliveira: a Lavajato é um divisor de águas

Primeira Página – Senador, essa intensa movimentação partidária, com filiações de prefeitos e lideranças ao PSDB, significa que o senhor está criando o seu grupo para as eleições 2018?

Ataídes Oliveira: Nas eleições do ano passado, houve uma renovação muito grande no quadro de prefeitos no país como um todo, e no Tocantins não foi diferente. Dos 139 municípios, mais de 100 estão com novos gestores, de diversas legendas. Alguns estão insatisfeitos ou em busca de novas lideranças, e nós estamos fazendo esse trabalho. Conseguimos a adesão de 19 prefeitos, sendo os dois mais recentes de Lagoa do Tocantins e Aliança. Estamos começando a formar esse grupo de forma diferente, não de cima para baixo, e sim partindo da base, com vereadores e prefeitos. Mantemos um diálogo constante, aumentando e fortalecendo, criando musculatura para o projeto de 2018. E com isso, imaginamos que iremos conseguir eleger de cinco a oito deputados estaduais, dois federais, o governador do estado, além de senadores.

Primeira Página – O senhor será candidato a governador?

Ataídes Oliveira: Eu nunca tive a política como profissão, nem no passado, nem no presente e nem no futuro. Mas Deus foi muito generoso comigo, então eu acho que eu devo fazer uma contribuição ao meu país e ao meu estado.
Dentro desse grande grupo, onde existem vários líderes, deverá sair o novo gestor do Tocantins. Eu não tenho nenhuma vaidade, meu objetivo é fazer a transformação. Eu acho que as famílias Miranda e Siqueira já deram suas contribuições. 
A princípio meu nome está colocado como pré-candidato em 2018 para governador do estado. O próprio amigo João Dória, quando esteve aqui no Tocantins em agosto, ao ser perguntado se o PSDB teria candidato em 2018 para o Tocantins, ele falou que sim, indicando o meu nome para as pessoas presentes. 
Então eu devo colocar meu nome, mas repito: não tenho vaidade. Se alguém deslanchar e tiver as características necessárias para promover a transformação no estado, que é ser competente, honesto, que tenha o espírito de servir as pessoas e não de ser servido, que tenha coragem para tomar as decisões necessárias, eu irei apoiar.

Primeira Página – O Brasil vive uma grave crise econômica e o Tocantins sofre com esse problema. O senhor diria que os recursos das emendas parlamentares foram decisivos para formar essas alianças com os prefeitos?

Ataídes Oliveira: É dever do parlamentar trabalhar em busca de recursos para seu estado, independentemente da sigla partidária. Meu partido hoje é o Tocantins, mas evidentemente que essas emendas fazem a diferença, porque quando você contempla um município com esses recursos, o gestor fica muito grato.  Foram mais de R$ 40 milhões em asfalto, mais de R$ 50 milhões em casas, R$ 23 milhões em Cartão Reforma, 26 kits para o Conselho Tutelar, somando cerca de R$ 2 milhões, e mais de 20 ambulâncias.
Além desse trabalho de trazer recursos, eu vejo que o nosso nome tem fluído muito bem em todo país e no nosso querido Tocantins, também pela minha história, eu que sou filho desse estado, empresário, presido o Grupo Araguaia, o conhecido Consórcio Araguaia, que entregou mais de 28 mil bens no estado, e a construtora Araguaia, que gera milhares de empregos. Então toda essa história vai nos credenciando. Graças a Deus sempre fiz tudo com muita honestidade e transparência.

Primeira Página – Caso o senhor não se candidate ao governo e pleiteie a reeleição ao Senado, qual dos pré-candidatos a governador o senhor poderia apoiar?

Ataídes Oliveira: Eu tenho muita dificuldade hoje em apontar um nome que eu pudesse apoiar, caso não seja candidato ao governo em 2018. Temos muitos políticos bons no estado, mas o que estão ai já tiveram a oportunidade de fazer, e lamentavelmente não fizeram o que tinha que ser feito. Então, entre os nomes cotados eu digo que tenho dificuldade em talvez apoiar algum deles.
O que espero é que dentro desse nosso grupo, caso não seja eu o candidato, surja um nome. Tenho conversado muito com o Ronaldo Dimas, de Araguaína, o Laurez Moreira de Gurupi, e até mesmo com o ex-governador Moises Avelino, entre outros mais.

Primeira Página – Como o senhor avalia o governo Marcelo Miranda.

Ataídes Oliveira: Lamentável. O governador Marcelo Miranda tinha que ter tomado algumas decisões no início de seu mandato. Ele tem experiência, pois está no seu terceiro mandato. Em 2015, faltou serem tomadas algumas medidas imediatas, e lamentavelmente nada foi feito. Ele continua com o mesmo projeto de governo, com o mesmo sistema errático. E com isso, sua gestão se tornou insustentável. Nossa segurança pública é caótica, a taxa de homicídios cresceu 164 pontos segundo o IBGE, e a média nacional foi de apenas 10,67. A educação está lamentável e a saúde está ai para todo mundo ver. Eu cheguei a pedir intervenção nacional para a saúde, e agora por derradeiro eu vi que o secretário de saúde, Marcos Musafir, foi afastado de suas funções. Lamentavelmente, o governador Marcelo Miranda se perdeu em sua gestão.

Primeira Página – Como o senhor avalia o atual momento delicado da política nacional?

Ataídes Oliveira: Nós precisávamos passar por esse ralo, por essa peneira. Isto era questão de tempo, assim como também precisávamos passar por um gestor operário como o Lula, sem estudos e sem cultura, sem princípios éticos e morais. Precisávamos disso. O sistema político estava literalmente no rumo errado. O presidencialismo de coalisão que temos, o PSDB com coragem colocou que é   presidencialismo de cooptação. Isto é fato.  Essas eleições caríssimas, eu ouvi de um senador que com menos de R$ 30 milhões ninguém vira senador no Tocantins. Isso tudo está na contra mão da ética e da moral, e um dia ia explodir. E explodiu.
Sempre soubemos que esses recursos milionários que financiavam as campanhas vinham de outros lugares, menos do bolso do candidato. A minha campanha em 2014 foi financiada pelo meu próprio dinheiro. 
Essas mini reformas  aprovadas no Senado e na Câmara melhoraram muito o sistema, e eu participei de todas elas. Mas precisamos melhorar ainda mais, e rapidamente. A corrupção nesse país, que os procuradores do Ministério Público chamam de endêmica, eu chamo com outro nome: metástase, um câncer em metástase.

Primeira Página – Como diminuir então a corrupção no país, senador?

Ataídes Oliveira: Primeiro, precisamos melhorar nossas leis. As dez medidas contra a corrupção por exemplo, são de minha autoria. Lamentavelmente, o Renan Calheiros e o Eunício Oliveira não deixaram andar com a votação. Mas precisamos melhorar isso.
Agora, o ponto principal que eu vejo dessa mudança é a conscientização do nosso povo, dos nossos eleitores.  Eu vejo que o eleitor chegou à conclusão de que se ele não votar certo, vai continuar sendo roubado pelos maus políticos e maus gestores.
A operação Lava Jato é um grande divisor de aguas na corrupção. Havia um Brasil antes da operação e um novo Brasil após a operação. Qualquer gestor hoje sabe que se roubar o povo, irá para a cadeia. 
Em 2012, a corrupção girou em torno de 80 bilhões de reais e em 2015 foram 200 bilhões de reais. Dava para dobrar nossos recursos com saúde e segurança. Mas eu digo também que é impossível acabar com 100% da corrupção, isso seria hipocrisia. Mas a gente consegue trazer ela para muito próximo de zero.
A nível de estado, é mais fácil de fazer, com um gestor de competência e coragem, e eu tenho um método para acabar com ela no estado.
Primeira Página – E como seria esse método?
Ataídes Oliveira: Tudo começa com a compra de serviços e materiais, ai está a raiz da corrupção. Veja só essa receita simples para baixar a corrupção no Tocantins. Se eu for eleito governador, vou criar ao lado de minha sala um espaço redondo com dezenas de mesas com computadores e ali irei colocar cada executivo da sua área. O educador, o engenheiro, o médico, o professor e outros mais. E no centro, dessas mesas, colocarei os técnicos para a compra de serviços e materiais.
Por exemplo, uma professora que queira comprar algum material, seu pedido vai cair no sistema, e o professor da área vai dizer se deve comprar ou não, e todos os demais dessa cadeia devem concordar com esse pedido. Ai sim, os técnicos irão realizar a compra do produto. A ideia é criar uma central única de compra de materiais e serviços para todas as pastas. Desta forma, é impossível haver corrupção dentro. Essa central seria composta de no mínimo 50 pessoas. Então, a coisa já começa a funcionar melhor. E eu quero que o Ministério Público esteja dentro dessa grande central. Um detalhe eu quero ressaltar ainda: é importante acabar com a reeleição para os cargos no Executivo. Ultimamente, estou preocupando também até com os cargos no Legislativo, mas quanto aos cargos executivos, sou totalmente contra.

Primeira Página – Em uma rápida análise, fale da sua atuação parlamentar. 

Ataídes Oliveira: Eu sou chão de fábrica, apesar de minha formação superior ser direito e contador e ter inclusive lecionado nessas duas áreas. Mas eu gosto é de fazer, então o Legislativo tem sido um grande desafio para mim. Virar senador não era um projeto de minha vida, mas eu vejo que estou numa missão designada por Deus e tento sempre dar o meu melhor. 
Se eu sair da política hoje, eu saio satisfeito e feliz. Primeiro, por ter ajudado a afastar essa corja do PT que roubou nosso país. Eu tenho mais de 30 projetos muitos interessantes no Senado, mas eles estão andando a passos de tartaruga. Mas me alegra muito em saber que evitei a aprovação de muitos projetos de lei danosos ao nosso país, como o abuso de autoridade, que se tivesse sido aprovado, teria acabado com a Lava Jato. 
Tenho feito o máximo que posso dentro do Congresso Nacional, trazendo recursos para o Tocantins. Sou relator da LOA - Lei Orçamentária Anual 2018, e presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Defesa e Controle do Consumidor, uma comissão muito importante.
Nessa semana iremos instalar uma CPMI mista, com foco na JBS. O objetivo dessa CPMI é muito amplo: iremos olhar operações do BNDES, da Caixa, dos fundos de pensão do Banco do Brasil. Iremos olhar como a Comissão de Valores agiu nessas últimas duas décadas, e também o CADE. Essa comissão será composta por 16 deputados e 16 senadores. Eu sou o autor da proposta da CPMI, e é de costume do Senado que quem cria uma CPMI, seja seu presidente, ou então relator.
Eu criei já uma CPMI no Senado, da CARF, onde denunciamos 20 pessoas físicas e jurídicas. Conseguimos prestar um bom serviço. E agora dessa vez, eu acredito que posso contribuir ainda mais.

Primeira Página – Qual sua mensagem à população nesse momento que o Brasil vive?

Ataídes Oliveira: Estamos vivendo um momento terrível no Brasil, com uma crise política, moral e ética e econômica jamais vista. Tenho 57 anos de idade, sou de uma família bastante pobre, e eu percebo que nosso país é sim muito rico e com um povo trabalhador, e trago isso para o Tocantins, que também é muito rico. Temos 277 mil quilômetros de terras férteis, a segunda maior bacia de água doce,  com um solo riquíssimo em minerais. Temos o turismo, com a maior ilha fluvial do mundo. Somos o centro do país, com uma ferrovia na porta. E precisamos de um bom administrador e é isso que eu peço: que o eleitor pesquise bastante, seja para senador, deputado ou governo. Precisamos de um líder competente e honesto, com espirito de servir e com vontade de trabalhar. Com coragem para tomar decisão e alavancar a economia do estado. Não percam a esperança, dias melhores virão. Vamos colocar nossa fé e nossa esperança em ação.

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